Telmário abre série de entrevistas com os pré-candidatos ao governo de Roraima

Senador Telmário Mota: “Quero envolver comércio, setor produtivo e classe política” (Foto: Agência Senado)

Senador Telmário Mota: “Quero envolver comércio, setor produtivo e classe política” (Foto: Agência Senado)

A Folha realiza, a partir de hoje, 08, uma série de entrevistas com os possíveis pré-candidatos para o Governo do Estado de Roraima. A partir de critério de disponibilidade, Telmário Mota (PTB) é o primeiro a participar da rodada de entrevista. Mota respondeu perguntas sobre cenário eleitoral, programa de governo e avaliou a atuação política roraimense. Confira:

Folha: Quais as razões que o senhor tem para querer ser governador?
Telmário Mota: Eu quero ser governador para tirar Roraima dessa estagnação, dessa dependência constante do contracheque. Roraima tem que cumprir com seu papel de Estado e gerar renda e emprego. Me sinto preparado para este projeto e temos que convocar todas as categorias nessa luta. Quero envolver comércio, setor produtivo e classe política.

Folha: Como o senhor pretende compor sua chapa? Quais serão suas alianças?
Telmário Mota: Nós estamos conversando com grupos políticos que estão comprometidos com o Estado. Gostaria de compor minha chapa com uma mulher com doutorado. Que ela representasse a comunidade acadêmica e tivesse conhecimento do social e da educação, e pudesse nos ajudar. Para a chapa vamos buscar pessoas assim, que tenham um passado que nos recomende a uma composição. Estamos conversando com várias pessoas e tem construção nesse sentido.

Folha: Seu secretariado teria perfil técnico ou político?
Telmário Mota: Secretariado de perfil técnico, pois teremos secretários e subsecretários atuando para unificar os interesses de todos. Vamos trabalhar com técnicos principalmente, pois político será apenas o governador. Também pretendo implantar um conselho de pessoas com notório saber nas áreas de educação, empresarial, produtiva, em todos os segmentos. Vamos buscar pessoas que possam montar um plano para o Estado e fazer com que aconteça.

Folha: Como o senhor avalia o cenário político atual?
Telmário Mota: Eu acredito que no final só vão ter três candidaturas. Hoje temos a nossa, do partido, do Cascavel, do Anchieta e da governadora e uma que vai sair do grupo do senador Romero Jucá. Nós entendemos que, como Jucá não apoia Suely nem Anchieta nem Cascavel, eles três têm que em janeiro sentar, fazer uma avaliação e unificar se for possível as propostas para fazer composição, pois tem vaga para governador, vice e para senador. Agora nosso grupo tem uma candidatura majoritária, que é a da senadora Ângela. Nós vamos apoiar a senadora Ângela esteja ela no nosso palanque ou não.

Folha: O senhor tem receio de concorrer com algum candidato?
Telmário Mota: Qualquer candidato será bem-vindo. Eu quero enfrentar, estou preparado para enfrentar qualquer um. Eu quero enfrentar principalmente a prefeita Teresa, que não vai ser opositora de amador que ela já enfrentou. A prefeita, se vier candidata, vai enfrentar quem conhece de políticas públicas e tem embasamento para discutir com ela. Nesses 20 anos de mandato, o que Roraima produz de geração de renda e emprego? Não tem abatedouro de pequenos animais, distribuidor de alimentação, não tem unidade de pronto atendimento. O que ela fez durante todo esse tempo?  Não fez nada. Vou mostrar o quanto a prefeitura recebeu em 20 anos de receita e o quanto investiu.

Folha: Acha que tem chances de vencer o pleito?
Telmário Mota: Eu não tenho medo, seja qual for o adversário. Eu sei onde está o povo, onde estão as pessoas. Tenho um mandato de senador, em que todo mundo dizia que eu não ganhava e estou aqui. Vou desmascarar mentiras e maquiagem dos políticos de Roraima. Nunca ganhamos ou fizemos política comprando votos

Folha: Qual a avaliação que o senhor faz do governo atual e dos anteriores?
Telmário Mota: Não podemos esconder que nos governos anteriores cada um teve sua participação na construção do Estado. Ottomar, ao instalar o governo, pegou um Território e o transformou em Estado, criou prédios públicos, interligou Roraima com vicinais, estradas, municípios. O Neudo fez um papel muito importante, pois se ainda temos energia em Roraima, foi graças a ele, pois Guri hoje ainda dá a sustentação ao Estado. Ele também investiu na educação e na estrada de Manaus. O Flamarion fez os concursos.
Mas de lá para cá foi só acidente e atropelo. O Estado precisa ser pensado. O atual governo está perdido, cego em tiroteio. Governa estilo capitania hereditária e ninguém pode governar dividido, com vários comandos. O governo não é uma cozinha.

Folha: O que o eleitor pode esperar do senhor em caso de possível candidatura e eleição?
Telmário Mota: Como governador, vamos acabar com apartheid entre sociedade branca e indígena. Somos um só povo, somos todos brasileiros e vamos dar igualdade de trabalho aos índios, que têm que estar inclusos no projeto produtivo. Não podem viver de sobra, de migalha, de lambida do morcego que só engana. Eles têm que estar inclusos, produzindo para o Estado e a agricultura familiar tem que ter pujança e ser forte. O agronegócio graúdo tem que ter infraestrutura para cair na produção e temos que recuperar a malha produtiva. Vamos construir pontes de concreto que durem a vida inteira. Colocar ponte de madeira em BR é uma pouca vergonha. Temos que ter coisa duradoura, energia e estrada onde não tem. Tem que fazer o Estado investir o que é seu e o que vem de extra.

Folha: Quais suas propostas para melhorar o Estado?
Telmário Mota: Vou dividir Roraima em territórios: Território do Sul, Território Central e Território do Norte. Isso para desenvolver políticas públicas para estas localidades. Vamos criar fundo de desenvolvimento sustentável para esses territórios, pegando recursos de emendas de todo mundo, federais, estaduais e municipais. Vamos aparelhar Roraima para desenvolver igualitariamente. O que é bom para o Norte será bom para todos os municípios e vamos priorizar. Hoje temos recurso e não sabem onde colocar. Estamos elaborando um plano para apresentar a sociedade com eixo central e diversos eixos de desenvolvimento.

Folha: Quais serão as prioridades do governo Telmário Mota?
Telmário Mota: As pessoas não sabem para onde o Estado quer ir, e temos que mudar isso. Roraima precisa estabelecer prioridades. O Terra Legal, o Incra, a prefeitura e governo têm ferramentas para legalizar terras urbanas e rurais, mas as pessoas não são donas da terra, não têm acompanhamento técnico, e precisamos dar isso ao nosso povo.

A educação e saúde não podem ser tratadas como demanda, têm que ter planejamento. Temos crise na saúde e educação, pois não há planejamento. A saúde está toda centralizada no governo e a prefeitura recebe milhões para saúde e não cumpre seu papel. Somos a única capital do país sem unidade de Pronto Atendimento, e o Estado não se manifesta nem cobra. A prefeitura tem que cumprir a parte dela.

Outra prioridade minha será a segurança. É inadmissível que um Estado pequeno de pessoas ordeiras e responsáveis seja comandado pelo crime. Temos que ter penitenciária modelo separando o bandido de alta periculosidade. Sistema prisional tem que ser exemplo, modelo. Vamos trabalhar com segurança ostensiva, com policial comunitário, vamos trabalhar com equipe de ação mais forte, tipo Bope fortalecido, para polícia não ser desmoralizada, e polícia científica, inteligente para fortalecer essas duas. Vamos trabalhar buscando bons modelos como o da Bahia. Então, onde tiver política pública dando certo vamos buscar.

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